Veja qual é o panorama da energia solar no Brasil

Veja qual é o panorama da energia solar no Brasil

Um novo recorde histórico acaba de ser atingido pelo Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o país chegou à marca de 200 mil conexões para geração fotovoltaica distribuída. Isso mostra que a energia solar no Brasil começa a mostrar sua força e tem elevado potencial de crescimento.

Porém, mesmo com esse elevado potencial, a energia solar no Brasil tem ainda um longo caminho a percorrer. Afinal, ela representa apenas 0,3% de todo o mercado nacional de eletricidade, que é composto por cerca de 84,4 milhões de consumidores.

Por isso, para entender melhor esse mercado, vale observar um panorama completo sobre esse setor, desde o surgimento dessa tecnologia no país até o cenário atual. Também vale conhecer quais são os desafios para o futuro da energia solar no Brasil e quais devem ser as estratégias para superá-los.

Histórico da energia solar no Brasil

No Brasil, o uso da eletricidade obtida por meio dos raios solares começou a popularizar-se em 2012, imediatamente após uma regulamentação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que propiciou a troca de energia entre os consumidores e concessionárias de energia.

Mas o início da energia solar no Brasil é datado de algumas décadas antes, com essa forma de gerar energia começando a aparecer na década de 1970, ainda de forma muito pontual e pouco expressiva. A partir de 1980, inicia-se uma tímida ampliação, com a energia solar tornando-se um pouco mais frequente no território brasileiro.

Já na década de 1990 foi criada no país uma política pública que previa a energia solar como uma das fontes energéticas. Essa política foi nomeada de Prodeem – Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios.

Porém, o grande passo foi dado na década de 2010, especificamente no ano de 2012, quando os sistemas de energia solar fotovoltaica conectados à rede tiveram seu crescimento mais expressivo com a Resolução Normativa n. 482 da ANEEL. Isso permitiu a venda de excedente de energia elétrica de pequenos negócios para concessionárias, o que fez a energia solar no Brasil crescer de forma mais expressiva.

Essa expansão vem acontecendo continuamente até os dias atuais, fazendo do Brasil um dos países com maior potencialidade para o desenvolvimento da energia solar fotovoltaica em nível mundial.

Como estamos na atualidade quando o assunto é energia solar no Brasil?

No atual contexto da energia elétrica no Brasil, o cenário mostra que o país está no caminho certo. Prova disso é o marco histórico atingido recentemente, com 200 mil conexões para geração fotovoltaica distribuída no país.

O Brasil possui agora 2,3 gigawatts de capacidade instalada de energia solar fotovoltaica distribuída. Com isso, o setor já captou R$ 11,9 bilhões em investimentos acumulados e que estão espalhados pelas cinco regiões nacionais desde 2012.

Esses investimentos abrangem todo o sistema de geração de energia a partir de raios solares, como os sistemas de microgeração, e distribuída entre residências, comércios, indústrias, produtores rurais, prédios públicos e pequenos terrenos.

Em número de sistemas fotovoltaicos instalados no Brasil, o cenário é o seguinte:

  • consumidores residenciais: 72,6%
  • empresas dos setores de comércio e serviços: 17,99%
  • consumidores rurais: 6,25%
  • indústrias: 2,68%
  • poder público: 0,43%
  • outros tipos, como serviços públicos: 0,04%
  • iluminação pública: 0,01%

Além disso, um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), realizado entre os anos 2016 e 2018, mostrou que a capacidade instalada da energia solar fotovoltaica no país teve um salto de 0,1% para 1,4% de participação na matriz energética nacional.

Mas, apesar das últimas marcas atingidas, profissionais e entidades atuantes nesse mercado concordam que esses números ainda são baixos, principalmente em razão das dimensões continentais e do potencial energético solar imenso que só o Brasil tem.

Por isso, essas entidades acreditam que um marco regulatório para dar maior segurança ao investidor é necessário, principalmente em razão da insegurança jurídica que paira sobre o mercado. Podemos tomar como exemplo a energia eólica, que já conta com 15 gigawatts instalados, com o adendo de ela ter sido implantada no Brasil em 2005, bem antes da energia solar (2012).

Estratégias para superar os desafios e expandir a energia solar no Brasil

Como vimos, o cenário da energia solar no Brasil é bastante promissor e as projeções da ANEEL revelam que, em 2024, serão 886.723 sistemas de energia solar residenciais e comerciais no Brasil, indicando um crescimento constante do setor, como pode ser visto no gráfico abaixo.

Porém, mesmo apresentando grande potencialidade para gerar energia por meio de placas fotovoltaicas, o Brasil tem ainda muitos desafios e dificuldades a superar.

Uma dessas grandes dificuldades é obter financiamento e ter acesso ao crédito no Brasil. Além disso, o uso da energia solar no Brasil é tardio, com o setor precisando alcançar uma velocidade acima da média para recuperar esse atraso.

Mas, com o avanço da tecnologia e a redução expressiva dos custos da energia solar, que, de 2010 para cá, reduziram-se em 85%, o setor apresenta-se à grande possibilidade de ganhar novos mercados.

Na geração distribuída (GD), por exemplo, diversas oportunidades surgem dia após dia. No passado, falávamos do uso dessa tecnologia somente nos telhados dos consumidores de baixa tensão, mas nos dias atuais a realidade é bastante diferente. Agora, esse tipo de sistema já pode ser encontrado na habitação de interesse social e em prédios públicos.

No agronegócio, a velocidade de uso da energia solar é também bastante expressiva, trazendo maior competitividade e previsibilidade para o produtor rural. Há ainda o uso dessa tecnologia em comércios e indústrias, que vêm tendo os mesmos benefícios.

Por fim, a energia solar no Brasil é uma grande locomotiva para geração de empregos no mundo, tanto que dos 11 milhões de empregos gerados pela cadeia de renováveis no planeta, um terço deles provém da fonte solar.

Entretanto, poucos desses empregos estão no Brasil. Mas a expectativa do setor é de atingir a meta de gerar 1 milhão de empregos até 2030.

Assim, a esperança do setor é de que o governo avance no sentido de oferecer maior segurança e mais benefícios aos produtores desse tipo de energia, sendo essa uma excelente forma para utilizar a energia solar para complementar a capacidade de geração das nossas hidrelétricas.

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