Tudo sobre segurança em sistemas fotovoltaicos
Profissionais da Elétrica

Tudo sobre segurança em sistemas fotovoltaicos

14.07.2020

Com o lançamento do Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), os sistemas fotovoltaicos no Brasil ganharam grande visibilidade e mercado. Porém, algo que falta crescer na mesma proporção é o cuidado com a segurança – afinal, estamos no país do famoso “gato” de energia elétrica, não é mesmo?

Essa cultura de falta de preocupação com a segurança em sistemas fotovoltaicos precisa ser revista urgentemente. A seguir, explicamos tudo que você precisa saber antes de instalar seu sistema solar fotovoltaico. Vamos lá?

Sistemas fotovoltaicos são seguros?

A segurança de um sistema fotovoltaico é determinada por um conjunto de 18 fatores principais. A forma de testar esses elementos constam no teste IEC 61215, uma norma internacional que visa a trazer maior confiabilidade aos sistemas solares.

O produto deve ter, no mínimo, a certificação Inmetro para poder ser comercializado no Brasil. Entretanto, a certificação IEC 61215 é considerada mais ampla. Isto é, recomenda-se que, antes de comprar, você verifique se os componentes do sistema fotovoltaico tenham essa certificação.

Os elementos testados em um sistema fotovoltaico pelo teste IEC 61215 são:

  1. Inspeção Visual, que busca verificar se o equipamento tem danos visíveis ou problemas na manufatura.
  2. Flash Test, que é um teste de desempenho, medindo potência, eficiência, tensão e corrente. Aliás, este é o único teste que o Inmetro exige.
  3. Resistência de Isolamento, que consiste em um teste de segurança para avaliar se o módulo do sistema fotovoltaico tem isolamento elétrico suficiente.
  4. Teste Molhado de Fuga de Corrente, que avalia a segurança contra entrada de umidade e o consequente perigo de choque elétrico em circunstâncias como neblina, chuva, entre outras.
  5. Coeficientes de Temperatura, que simula o rendimento do módulo em clima quente.
  6. Desempenho do Módulo em STC e NOCT, que analisa o comportamento ao ser submetido a carga em duas situações: STC (Condições Padrões de Teste) e NOCT (Temperatura Nominal de Operação da Célula).
  7. Temperatura Nominal de Operação da Célula (NOCT).
  8. Exposição em Baixa Irradiância, que avalia o desempenho em condições de baixa luminosidade.
  9. Exposição ao Ar Livre, que analisa a habilidade de o sistema fotovoltaico aguentar a exposição ao ar livre.
  10. Resistência de Hot Spot, um teste térmico que avalia a resistência do módulo a aquecimentos localizados por causa de rachaduras em células, sombreamento, sujeira ou falhas na interconexão.
  11. Resistência UV (Ultravioleta), que avalia a degradação por raios UV.
  12. Ensaio de Ciclagem Térmica, outro teste térmico que simula mudanças abruptas de temperaturas extremas (200 ciclos).
  13. Umidade & Congelamento, mais um teste térmico que analisa um ciclo de aquecimento e congelamento de 85 °C a -40 °C com 85% de umidade relativa.
  14. Damp-Heat (DH1000), um teste de resistência que avalia a vida útil. É o mais severo, mas é uma das principais formas de avaliar a garantia padrão informada por fabricantes.
  15. Robustez de Terminações, um teste mecânico que simula a montagem e manipulação do módulo.
  16. Carga Mecânica, que consiste em um teste de resistência para determinar se um módulo suporta vento, neve, gelo, cargas estáticas, etc.
  17. Resistência Contra Granizo.
  18. Ensaio Diodo Bypass, um teste térmico que analisa o comportamento do sistema sob condições específicas de hot spot, o que interfere diretamente no desempenho do módulo.

No Brasil, quem certifica painéis solares é grupo internacional TÜV Rheinland. Assim, sistemas fotovoltaicos que foram aprovados nesse teste rigoroso são considerados seguros e adequados para padrões de segurança de países como Japão, Alemanha e Estados Unidos.

O que diz a lei sobre segurança do trabalho em projetos de sistemas solares?

Outro aspecto muito importante da segurança em sistemas fotovoltaicos é a manipulação e instalação deles. Em outras palavras, a segurança do trabalho.

No Brasil, algumas das normas regulamentadoras trabalhistas que tratam de segurança do trabalho em instalações elétricas são:

  • NR 6, que indica todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários para o desempenho seguro da função de eletricistas.
  • NR 10, que regulamenta e estabelece requisitos e condições mínimas da implementação para garantir a segurança e a saúde de quem trabalha com serviços que envolvam eletricidade em geral.
  • NR 11, que trata do transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais.
  • NR 12, que regula a segurança do trabalho em máquinas e equipamentos.
  • NR 35, que regulamenta os requisitos mínimos de proteção para o trabalho em altura.

É importante observar que essas são apenas algumas das normas que valem para o trabalho com sistemas fotovoltaicos, mas pode haver mais.

Para garantir a segurança em sistemas fotovoltaicos, verifique sempre o site do Ministério do Trabalho para ver se houve alguma alteração nas normas regulamentadoras e observe as certificações do equipamento. O atendimento a essas regras não é mera chateação. Quem trabalha com eletricidade está exposto a perigos muito grandes, inclusive riscos graves, tais como flashes de arco elétrico (queimaduras graves), choque elétrico, queda e outros ferimentos, e até morte. Similarmente, um sistema mal instalado, mesmo que seja certificado, pode trazer riscos de choques elétricos e até mesmo de incêndios.

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Energia
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Autor

Abel Santos

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